segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O mundo em que vivi



No livro “O mundo em que vivi” de Ilse Losa podemos encontrar vários exemplos de desigualdade.

Aqui vou falar apenas do primeiro capítulo.


Logo nas primeiras páginas encontramos sinais de desigualdade. Por exemplo, quando a autora, na página 8, nos dá a seguinte discrição “Por isso eu, apesar de tão pequena ainda, tinha de andar sempre de meias pretas. Isto arreliava-me porque as crianças com quem convivia não usavam meias pretas e queria ser igual a elas” está a demonstrar-nos as diferenças sociais existentes entre Rose e as amigas. Rose tinha de usar sempre meias pretas pois eram mais “económicas”, ou seja, não se sujavam tanto como as brancas e, estando a família de Rose numa fase economicamente difícil já que o avô não podia trabalhar por motivos de saúde, não se gastavam tanto nem tinham que ser lavadas tantas vezes. Este é um bom exemplo da desigualdade existente entre as classes sociais.

Mais tarde, na página 35, podemos encontrar um exemplo bem claro de discriminação social devido à religião. Quando a autora escreve “Houve um tempo em que não era permitido aos judeus viverem e trabalharem como lhes apetecesse ou lhes desse prazer. Forçados ao isolamento em vielas escuras, só se podiam dedicar a determinados negócios” está a mostrar-nos a discriminação social de que os judeus eram alvo apenas por terem uma religião diferente. Eram tratados como se fossem menos dignos ou menos capazes apenas por não pertencerem à religião católica.

Na página 38, encontramos um bom exemplo da desigualdade entre os sexos, entre os homens e as mulheres. “O avô Markus sentava-se em baixo, na secção dos homens. A avó Ester e eu subíamos a escada para a galeria das mulheres. Perguntei certa vez à avó por que é que os homens ficavam separados das mulheres e por que é que as mulheres não intervinham nas cerimónias mais magníficas.” Aqui a autora mostra-nos a desigualdade existente entre os sexos naquela altura. Certas cerimónias eram exclusivas dos homens e as mulheres não podiam ser parte activa nelas. Apesar de as mulheres estarem a ganhar importância e estatuto na sociedade ainda eram discriminadas em certas situações apenas por serem mulheres. Apesar de a sociedade estar a evoluir no sentido da igualdade entre os sexos, este é um processo lento que, ainda hoje em dia, não está completo.

O último caso de desigualdade de que vou falar está na página 45. Trata-se da discriminação das pessoas apenas pelo seu aspecto exterior. “Magricela, sempre de preto, de cabeça achatada, cabelo oleoso e olhos esbugalhados: foi assim que Stefanie Kohn se me gravou na memória.” A autora dá-nos a descrição de uma senhora a quem todos os meninos chamavam bruxa apenas por causa do seu aspecto. Não conhecendo a senhora pessoalmente julgavam apenas pelo que viam, apenas pelo aspecto exterior. Quando Rose visita a senhora em sua casa, vê que afinal é uma pessoa como todas as outras apesar do seu aspecto e começa a duvidar se a ideia que tinha formado era, de facto, verdadeira. No entanto quando comenta esta impressão com a sua amiga, esta não se demonstra muito interessada. Este tipo de discriminação está presente até aos dias de hoje. Continuamos a julgar as pessoas apenas pelo que vemos e muitas vezes a exclui-las socialmente por não se enquadrarem no estereótipo que a sociedade criou do que é o “normal” e muitas vezes quando nos provam que existe mais além do aspecto exterior, que no fundo são pessoas iguais a nós, simplesmente não queremos ver por estarmos agarrados à imagem do que deveria ser. Continuamos, apesar de tanto tempo ter passado e tantos esforços serem feitos para combater as desigualdades, a guiar-nos pelos estereótipos que a sociedade criou.


Este é um livro que, lido com espírito crítico, nos faz pensar em muitas coisas. Fala-nos além das desigualdades, da guerra, do sofrimento, da família.

Mostra-nos, como o título diz, o mundo em que Ilse Losa viveu a sua infância. Dá-nos a conhecer um mundo que, para nós, está longe no tempo e no espaço, mas que poderia ter sido o nosso. Bastava termos nascido naquele tempo e naquela cidade.

Faz-nos acordar para uma realidade que com contornos diferentes vemos todos os dias. As guerras continuam a existir, as desigualdades sociais, apesar de mais subtis, continuam a ser as mesmas e as famílias apesar de tanto terem mudado, continuam a passar por alegrias, tristezas, conquistas e dificuldades tal como as de antigamente.

É um livro único que nos faz reflectir e que deve ser desfrutado em pleno.


Reflexão sobre os cursos EFA

O que está a mudar na nossa sociedade no que diz respeito à educação?

No meu ver, uma das mudanças mais importantes foi a introdução dos cursos EFA.

Neste momento eu estou inserida num desses cursos e posso falar por experiência própria.

Os cursos EFA vêm dar uma nova oportunidade a muita gente que, tal como eu, não teve a possibilidade de acabar o 12º ano e entrar para a faculdade.

Não só para pessoas da minha idade como para quem deixou a escola há já algum tempo e agora sente necessidade de alargar os seus conhecimentos e tirar uma especialização.

Como existe a modalidade de pós-laboral torna-se muito mais fácil conseguir continuar os estudos, já que muitas pessoas não se podem “dar ao luxo” de apenas estudar. Têm trabalhos durante o dia que não podem deixar e à noite podem estudar graças a estes cursos.

O ambiente nestes cursos é também completamente diferente do ambiente de uma escola normal. Os formadores conseguem motivar e ensinar de uma maneira muito mais adulta e cooperativa do que os professores que tive na escola. Os formandos, apesar de todas as diferenças existentes em idade, experiências, cor, profissões e maneiras de ser, estão ligados por um objectivo em comum, o de finalizar os seus estudos e ter uma especialização. A relação entre formandos e formadores é também muito diferente da existente nas escolas. Não é só o debitar de informação a ser decorada, é a troca de experiências e de saberes, e mais importante, é levarem-nos a reflectir sobre os assuntos e a ter um espírito crítico sempre alerta.

Os cursos EFA são para mim uma mais valia para a educação, já que, não só contribuem para termos indivíduos formados e habilitados no mercado de trabalho como também para que, cada vez mais, se introduza na sociedade o espírito crítico e a importância da aprendizagem e da formação para a evolução do país e do mundo.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Método Cientifico

Durante a aula de STC7 estivmos a falar sobre o método cientifico.
Aqui está o exercicio proposto para utilizarmos o método cientifico em duas situações: uma criada pela Marta e outra inventada por nós sobre alguma coisa do nosso dia-a-dia.


A Perca

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Ensaio sobre a Cegueira



Frase: “ Porque foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, cegos que vêm, cegos que vendo não vêem”


Todos os dias estamos “cegos” para situações que não queremos ver, que já são tão habituais que não as vemos ou porque simplesmente fomos ensinados a não as ver.

Nós sabemos que estas situações existem mas decidimos, ou a sociedade decidiu por nós, olhar para o lado e cegarmo-nos a nós próprios.

Na sociedade de hoje em dia são poucas as pessoas que conseguem ver no meio desta epidemia de cegueira selectiva.

A nossa sociedade é “cega” quando se trata de olhar para as diferenças dos outros, ou seja, o tom de pele, a cultura em que foram criados, a religião, a situação financeira, ou mesmo a profissão que exercem, entre tantas outras coisas.

No filme encontramos algumas situações que nos retratam as diferenças e como a nossa sociedade lida com elas.

Logo no início do filme, a primeira situação é bem reveladora do que nós, Seres Humanos, somos capazes de fazer perante uma situação de diferença.

Por exemplo, quando o primeiro homem cega, a única pessoa que se disponibiliza a ajuda-lo, fá-lo com segundas intenções, com o intuito de tomar proveito da situação roubando-lhe o carro.

Dramático, mas frequente na nossa sociedade, que prefere manter-se cega.

Por ironia do destino, esse mesmo homem acabou por ficar ele também cego e igualmente à mercê da “caridade” de outros.

Outro bom exemplo deste tipo de situações foi a reacção do governo a esta doença repentina, e perante o desconhecimento de saberem se seria contagiosa colocam os primeiros infectados em “quarentena” num hospital abandonado, sem condições, nem acompanhamento de qualquer natureza.

No meio desta situação o filme dá-nos a conhecer uma mulher capaz de se sacrificar em prol de um grupo restrito, do qual o seu marido fazia parte, correndo também o risco de cegar.

A este primeiro grupo esta mulher foi capaz de guiá-los, ensinando-os a viver com esta incapacidade e permitindo-lhes uma vida aparentemente “normal”.

À medida que foram entrando mais pessoas vitimas desta “cegueira”, o caos instalou-se e assistimos à transformação que ocorre nos Homens quando sabem que ninguém está a ver.

As condições de higiene degradaram-se, a luta pelo espaço e pelos alimentos tornou-se uma guerra interna e diária.

Após supremacia de um grupo perante os restantes, mais uma vez assistimos à decadência do Ser Humano, pois foi necessário que um grupo de mulheres se submetesse sexualmente aos caprichos do grupo dominante para puder garantir os alimentos aos restantes companheiros.

No grupo dominante havia uma pessoa que marcava a diferença, o cego que já o era antes da epidemia. Este homem era o único capaz de realizar as tarefas diárias de uma vida norma, ajudando os outros membros do seu grupo a subjugar o resto das pessoas, pois era o único que já estava adaptado à sua cegueira.

Este filme mostra-nos a capacidade do Ser Humano tem se transformar num Ser altruísta, mas também condescendente, quando confrontado com uma situação limite.

Leva-nos a pensar até onde somos capazes de ir para sobreviver e como a nossa sociedade fecha os olhos e põe de parte as diferenças perante o desconhecido.

Este filme abre-nos os olhos para a “cegueira” da nossa sociedade.



Trabalho realizado por:

Filipa Palma

Rute Barrocas

Margarida Salvador




Este é um daqueles filmes que, mesmo que não queiramos, nos deixa a pensar.

Cada pessoa tira uma moral diferente do filme.

Para mim, este filme fez-me pensar em como a nossa sociedade exclui toda e qualquer diferença sem remorsos. Vivemos num mundo de cegos selectivos e não queremos, ou não sabemos, como abrir os olhos, como sair desta cegueira em que nos esquecemos que somos todos iguais.

A pergunta que fica em aberto é: será que um dia vamos voltar a “ver” verdadeiramente?

Eu espero que sim… mas a sociedade não muda de um dia para o outro. Parte de todos e de cada um de nós abrir os olhos para uma verdade que sempre esteve lá mas que simplesmente não queremos ver, a nossa incapacidade de aceitar o que é diferente.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Acordo Ortográfico



Nós somos um dos grupos “nim”.

Dentro do acordo ortográfico, conseguimos encontrar aspectos favoráveis e desfavoráveis.

Os aspectos positivos que encontramos são, por exemplo, a uniformização da ortografia da língua portuguesa (Brasil, Portugal, Angola…), a aproximação dos povos no que diz respeito à cultura, o facto de não ser necessário tradução de livros de diferentes vertentes da língua portuguesa, tornando-os assim mais acessíveis. É também provável que o insucesso escolar a Português diminua pois a escrita torna-se mais simples.

No entanto, o acordo ortográfico também tem aspectos negativos.

Em primeiro lugar, este acordo não é mais que um acordo económico, já que apenas muda a forma escrita da língua e não a falada, nem as palavras características de cada cultura.

Esta situação vai criar dificuldades na adaptação à nova forma escrita às pessoas adultas e mais idosas.

Mesmo depois de ter ouvido as opiniões dos grupos do sim e do não, não sou realmente capaz de escolher um ponto de vista único.

Este acordo traz vantagens mas também desvantagens e nenhuma das vertentes deve ser ignorada.